Publicado por: Angelo A. S. Sampaio | 9/12/2007

Pesquisa vs. intervenção no comportamento humano e nos fenômenos sociais


Respostas

  1. pois é Angelo, essa discussão é bem delicada, uma porção de outras questão saltam dela. Me pergunto se realmente intervenção e pesquisa são práticas excludentes, e me pergunto também se o “corpo a corpo” produz efeitos menos importantes do que o efeito produzido pelo planejador cultura.
    Embora já tenha lido falas do Skinner sobre a prática clínica, nunca consegui inferir seu posicionamento de forma tão clara quanto nesse texto e a questão levantada não é a velha polêmica sobre “ser a prática clínica uma derivação legítima da pesquisa básica”, e sim sobre o alcance desta prática.
    Está claro que ele espera hegemonia, mas não acredito que isso acontecerá sem a apropriação individual dos pressupostos do BR…. de outra forma o planejador cultural guiaria nossos passos sem que soubessemos pq e para que, estando então numa posição hierárquica diferente da maioria o que por si só já seria um grande problema……………

  2. em tempo….. tomei a prática clínica como um exemplo de intervenção

  3. Com décadas de atraso, gostaria de comentar algumas coisas sobre as palavras de Andréa acima.

    1) Não acho que intervenção e pesquisa são práticas necessariamente excludentes. No entanto, acho que sim, que muitas contingências envolvidas nessas duas práticas são conflitantes. Por ex., o objetivo principal de um profissional (i.e. a consequência que deveria controlar mais fortemente seu comportamento) é o bem-estar do seu cliente (indivíduo, grupo, família, comunidade etc.). Ora, isso pode ser alcançado sem nenhuma nova contribuição à compreensão geral de certo objeto de estudo. Um cliente com fobia pode ser muito bem tratado com dessensibilização sistemática e isso não implicará em novas descobertas sobre fobias, ou sobre os processos comportamentais envolvidos na dessensibilização sistemática. Daí que resolver bem um caso, não ajudará necessariamente a resolver outros. Na produção científica, contudo, o objetivo principal é sempre contribuir para uma melhor compreensão geral de um objeto de estudo – mesmo que isso não traga benefícios relevantes para os participantes da pesquisa.

    2) O “corpo a corpo” produz efeitos menos importantes no sentido de a longo prazo afetarem menos pessoas do que avanços científicos sobre o tema. Isso não implica, e Skinner não diria isso, que devamos abandonar a promoção de intervenções profissionais – é claro. Cada coisa tem seu lugar. Mas creio que no Brasil, em especial, e no campo da Psicologia, mais especificamente, a ciência não tem seu lugar adequado.

    3) Não entendi o que você quis dizer com “ele espera hegemonia”.

    4) Quanto a seus comentários a respeito da posição hierárquica de planejadores culturais, me pareceu que você tomou qualquer hierarquia como intrinsecamente problemática. Independente de isso ser verdadeiro ou não, creio que um mundo sem qualquer tipo de hierarquia é impossível. Pais estão em posição hierárquica diferente de seus filhos, políticos estão em posição hierárquica diferente de seus eleitores, em um grupo de pesquisa pesquisadores estão em posição hierárquica diferente de estudantes…

    Abraços!


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